Combine Inteligência Artificial e consciência individual para as tomadas de decisão

Não existem mais dúvidas que os computadores irão superar a inteligência dos humanos. O AlphaGo, software de inteligência artificial da Google, derrotou o campeão sul-coreano de Go, um antigo jogo de estratégia chinês mais complicado que o xadrez, em março de 2016 na cidade de Seul. O AlphaGo ganhou por 4-1 com lances inusitados que surpreenderam os especialistas. Concluiu-se mais tarde que a humanidade não tem mais possibilidade de derrotar o AlphaGo. Com isto, contratar pessoas pela sua inteligência deixará de ser um diferencial para as empresas, pois as empresas deverão substituir seus sistemas de apoio a decisão por softwares do tipo do AlphaGo. O que irá diferenciar é a consciência dos empregados, que conceituamos como sendo o sentido ou percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais.

A Wikipédia define consciência como uma qualidade da mente, considerando abranger qualificações tais como subjetividade, autoconsciência, senciência (sentir sensações e sentimentos), conhecimento, e a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente. É um assunto muito pesquisado na filosofia da mente, na psicologia, neurologia e ciência cognitiva.

Cada indivíduo constrói ao longo de sua vida sua própria realidade subjetiva, influencia pelo meio que vive. A filosofia discute muito sobre temas ligados a realidade subjetiva e a realidade objetiva. Será a realidade apenas uma ilusão? Não vamos chegar ao limite que acharmos que vivemos uma realidade apresentada no filme Matrix. Imagine a situação que trigêmeos são separados da mãe e adotados por três diferentes famílias em diferentes países: Espanha, Israel e Egito. Cada família segue a religião predominante no seu pais: catolicismo, judaísmo e islamismo. Tempos depois, já adultos, os trigêmeos encontram e começam a contar suas vidas. Provavelmente, discordam em vários pontos devido a suas diferentes realidades subjetivas, construídas a partir dos ensinamentos dos país e das comunidades em que vivem.

Pessoas com diferentes realidades subjetivas tomam diferentes decisões a partir do mesmo conjunto de informações. É aqui que a consciência humana faz a diferença. Os softwares de inteligência artificial podem sugerir uma tomada de decisão, baseada puramente na objetividade, porém será a consciência que julgará e selecionará aquela alternativa que faça mais sentido para a realidade subjetiva do tomador da decisão. O risco é que se a maioria dos consumidores ou interessados na decisão não compartilharem da mesma realidade subjetiva, a decisão será um fracasso.

Como as soluções de inteligência artificial aprendem, como o caso de Machine Learning e Deep Learning, as sugestões do software começarão a se ajustar as decisões que os tomadores de decisão aprovaram. O software recebendo informações de toda a empresa e analisando diferentes decisões tomadas, em vários níveis hierárquicos, entendera quais as consciências dos tomadores de decisões e suas realidades subjetivas. Com isto, poderá desenvolver uma estratégia para cumprir as metas definidas pela organização, assim como o AlphGo fez para vencer o jogo do campeão sul-coreano, até mesmo desconsiderando algumas decisões de empregados que poderiam prejudicar o atingimento das metas.

Uma paródia conta que para testar um software de inteligência artificial os desenvolvedores pediram para o computador calcular o valor de Pi. Para atingir o objetivo, o computador se apoderou de todos os recursos do Universo e aniquilou os humanos tentando encontrar a solução para o problema dado pelo seu criador.

Como diz o ditado, vamos colocar os pés no chão. A realidade objetiva das organizações é buscar lucratividade, competitividade e excelência na prestação de serviços (incluindo os serviços públicos). Os softwares de inteligência já mostraram que podem ajudar, significativamente, as tomadas de decisão das empresas. Alguns softwares como o TensorFlow da Google, liberado como open-source, já estão disponíveis para qualquer indivíduo ou empresa. Várias empresas já estão utilizando softwares de inteligência artificial para criar um novo modelo de governança e tomadas de decisão.

Um caso interessante é o da equipe de beisebol Oakland Athletics. Com baixo orçamento, o time não tinha com bancar jogadores que valiam milhões dólares e se contentava com os jogadores que sobravam. Em 2002, Billy Beane, gerente do Oakland, decidiu usar um algoritmo de computador usado por economistas e geeks para criar um time vencedor usando jogadores subestimados pelos olheiros humanos. Os mais experientes do ramo ficaram indignados com o uso de um algoritmo no santificado meio do beisebol. Muitos afirmavam que o beisebol é uma arte e, portanto, apenas humanos são capazes de decifrar os segredos e o espirito do beisebol. Os resultados contradisseram o senso comum, a equipe do Oakland venceu vinte jogos consecutivos e se saiu bem contra os grandes times. Obviamente, depois que os grandes viram os bons resultados passaram a usar o software para identificar os melhores jogadores, neutralizando a estratégia do Oakland Athletics.

Talvez, se Billy Beane conhecesse a estratégia de Alan Turing durante a Segunda Guerra Mundial, depois que sua Machine Learning, decifrou o código de criptografia alemão, de informar os planos dos alemães apenas das batalhas que fariam sentido ganhar a guerra, evitando que os alemães descobrissem que ele estava decifrando as mensagens, o Oakland Athletics hoje seria o maior campeão da liga americana.

Concluindo, as organizações de sucesso usarão softwares de inteligência artificial para encontrar alternativas ótimas para atingir as metas empresariais a partir do conjunto de realidades subjetivas de seus colaboradores, criadas a partir de suas consciências. Portanto, devemos contratar pessoas baseadas nas suas consciências.