Automação e inteligência para projetos de energia mais eficientes, seguros e sustentáveis

Insights

  • Gestão de Risco em Infraestruturas de Smart Grid

    Um incidente é resultado de uma sequência de falhas. Incidentes geram perdas financeiras e desgastam a imagem das organizações. Em ambientes Smart Grid que envolvem milhões de dispositivos físicos e componentes de softwares, é necessária uma nova abordagem de gestão de risco. A monitoração e a análise de risco devem ser em tempo real.

    O primeiro grande desafio em sistemas complexos de Smart Grid é determinar dentro da infraestrutura quais os componentes devem ser monitorados e seu grau de criticidade, que é composto pelo tipo de ameaça, condições para iniciar uma ameaça, a probabilidade de ocorrência e o impacto nos negócios. Essa análise em sistemas complexos deve ter o apoio de softwares especializados.

    Essa análise considera os processos para o restabelecimento do serviço do componente e ações de contorno, além do tempo entre falhas e seus tempos de recuperação. Os softwares de análise não conseguem identificar processos ineficientes, sendo necessários outros estudos para determinar o processo ótimo de operação.

    Todo o processo envolve risco, cabe aos gestores tornar transparente o impacto gerado por uma falha e buscar o equilíbrio financeiro para os investimentos de mitigação.

    Dentro de um processo de gestão de risco temos que considerar os seguintes pontos:

    • Ambiente interno. A cultura de risco de uma organização define como o risco será visto e tratado. Isso incluir a filosofia de gestão de risco, o apetite pelo risco, à integridade e valores éticos e o ambiente em que são operados.
    • Definição de objetivos. Sem objetivos claramente definidos é impossível identificar os eventos que podem afetar os negócios e impedir que os objetivos organizacionais sejam alcançados.
    • Identificação de eventos. É possível definir oportunidades e ameaças identificando eventos interno e externos que influenciam na realização de um objetivo organizacional.
    • Avaliação de risco. Os riscos são analisados e considerados a probabilidade de ocorrência e o impacto que isso causará na organização.
    • Resposta ao risco. Várias ações podem ser tomadas quando da ocorrência de um risco. Os riscos podem ser evitados, aceitos, reduzidos ou compartilhados. Os gestores devem selecionar que a melhor opção para a organização.
    • Controle de atividades. Procedimentos devem ser estabelecidos e implementados para auxiliar nas respostas aos riscos. Devem existir controles para avaliar a mitigação dos riscos, as visões dos gestores, relatórios, controles físicos e controles de desempenho.
    • Monitoração. Todos os processos e componentes devem ser monitorados para assegurar sua execução e para coletar informações para ações de melhoria contínua.
    • Informação e comunicação. Informações relevantes devem ser identificadas e comunicadas para forma apropriada e no tempo correto para que as pessoas responsáveis possam tomar ações dentro de suas competências para evitar a ocorrência de incidentes.

    A figura a seguir apresenta o fluxo de definição do processo e as etapas de avaliação de risco, avaliação interna e monitoração.  A partir desse fluxo é possível definir responsáveis, alocação de recursos e ferramentas para a governança dos processos.

    A definição dos objetivos está ligada as metas de negócio da organização e das unidades de negócios. As leis e normas regulatórias devem ser consideradas para a definição do processo. As metas geram os indicadores de desempenho dos processos. Para atingir as metas estabelecidas é necessário conhecer os riscos e tomar ações para gerenciá-los (evitar, reduzir, aceitar ou compartilhar). Frequentemente, os processos devem ser submetidos a uma avaliação interna e monitorados para assegurar sua execução e coletar informações para melhoria contínua. Uma boa prática é incluir os objetivos no modelo BSC – Balanced Scorecard – de gestão da estratégia.

    Para desenvolvimento e gestão de processos para Smart Grid várias ferramentas e metodologias devem ser utilizadas buscando excelência operacional.

    • Software de desenho e simulação de processos.
    • Software de governança, gestão de risco e conformidade.
    • Software de gestão de ativos.
    • Software de gestão de eventos do ambiente de Smart Grid.
    • Software de gestão de portfólio de projetos.
    • Metodologia de melhoria contínua para processos e mitigação de riscos operacionais.
    • Software de Business Intelligence e Big Data.

    Resumindo, o novo ambiente de Smart Grid exige um novo modelo de gestão risco com monitoração e análises em tempo real, detectando e avaliando mudanças do comportamento do sistema para evitar ataques cibernéticos e se antecipar a incidentes que podem paralisar alguns serviços. Essa nova abordagem exige novos desenhos de processos, softwares, metodologias de desenho de processos e novas tecnologias de análise de grandes volumes de dados em tempo real (Big Data).

  • Qual o melhor modelo de ensino para inteligência artificial?

    Qual o melhor modelo de ensino para inteligência artificial?

    Não restam dúvidas que a inteligência artificial é um ponto chave na transformação digital das organizações, criando uma alta demanda por profissionais especializados. As instituições de ensino buscam atender a alta demanda com cursos presenciais, limitados por questões físicas, e cursos online (EaD), que atendem a uma grande quantidade de alunos, geograficamente distribuídos. Dada tanta oferta de cursos sobre inteligência artificial, o desafio é selecionar, entre os nacionais e do exterior, qual a melhor opção. Existem três tipos de teorias sobre cursos online: independência e autonomia dos alunos; industrialização do ensino; e, interação e comunicação. Para o ensino de IA é fundamental, como uma área que requer uma construção lógica-matemática, uma forte interação com professores experientes. A seleção deve ser feita pelo modelo de ensino que ofereça maior interação entre professor, alunos e colegas.

    A Internet levou o EaD a milhões de pessoas no mundo

    Nas últimas décadas, a Internet viabilizou o ensino a distância (EaD) para milhões de pessoas. Isto permitiu que instituições de ensino tradicionais e startups de ensino (EdTech) criassem cursos online em várias áreas do conhecimento. A portaria do Ministério da Educação nº 2.117:2019, autorizou as instituições de ensino de engenharia e saúde (exceção de medicina) a terei até 40% da carga horário em EaD (Ministério da Educação, 2019). A expansão dos dispositivos móveis abriu uma perspectiva para o ensino a distância, chamado de mLearning, permitindo um acesso mais amplo da população ao EaD. Uma pesquisa mostra que 66% de todos os brasileiros são usuários de internet móvel (Pag|Brasil, 2019). A pandemia do Covid-19 expôs as vantagens do EaD para milhões de pessoas, com várias entidades de ensino liberando seus cursos, gratuitamente, para a comunidade. Várias entidades de ensino tradicionais tiveram que adotar o EaD como solução de continuidade de negócios. Isto deve gerar um impulso ainda maior do EaD no cenário educacional.

    A interação entre professores e alunos é fundamental para a construção de conhecimento

    As premissas básicas para adquirir habilidades e que a informação seja transmitida e que o aluno tenha condições de construir o conhecimento. As instituições de ensino devem garantir que as duas premissas sejam atendidas para certificar um aluno tenha adquirido habilidades suficientes para atender as demandas de mercado.

    Existem três grupos de teorias sobre EaD

    Alguns autores afirmam que o conhecimento é construído segundo as teorias interacionistas e que é possível o EaD atender a este requisito (VALENTE, MORAN, & ARANTES, 2011). É possível classificar as teorias sobre o EaD em três grupos: (1) Teorias de independência e autonomia; (2) Teorias de industrialização do ensino; e, (3) Teorias de interação e comunicação.

    As teorias de independência e autonomia, consideram que o aluno tem condições, a partir das informações transmitidas, construir o conhecimento. A independência e autonomia atribui ao aluno maior responsabilidade pelo aprendizado. O uso de tecnologias de informação (TI), permite que os professores consigam a interação com processos autônomos, como jogos interativos, o que se denomina “teoria da distância transacional”.

    As teorias de industrialização do ensino, consideram que as instituições de ensino tenham capacidade de produzir conteúdo e processos automatizados para a formação em massa. O planejamento sistemático e a otimização dos recursos permitem atingir os objetivos econômicos e educacionais.

    As teorias de interação e comunicação foca no acompanhamento individual dos alunos, apontando a interatividade entre professor, alunos e entre os colegas como pontos importantes na construção do conhecimento. A conversão didática pode acontecer de várias formas, como em chats, fóruns de discussão e troca de mensagens entre o professor e aluno ou em grupo. Isto permite o envolvimento dos alunos em atividades intelectuais que os fazem experimentar ideias, refletir, comparar e aplicar o julgamento crítico sobre o que é estudado.

    A interatividade é importante para fixar conceitos nas mentes dos alunos

    A interatividade é importante para fixarmos conceitos em nossas mentes, como pensava Kant, é a forma de resolver impasses entre as visões empiristas e racionalistas. Nas investigações de Piaget, foi identificado três tipos de conhecimento construídos pelos indivíduos: conhecimento físico (construído pela ação direta do sujeito sobre o objeto), conhecimento lógico-matemático (fruto da reflexão sobre as informações coletadas no nível prático, gerando a conceituação) e o conhecimento social-arbitrário (formado na interação com outras pessoas na sociedade) (VALENTE, MORAN, & ARANTES, 2011).

    O ensino de inteligência artificial requer a construção lógico-matemático por suas características abstratas, tornando necessária uma forte interação de professores experientes.

    O ensino presencial de inteligência artificial tem algumas vantagens sobre o EaD por ter classes menores e, principalmente, onde o professor pode propor o desenvolvimento de um projeto ao longo do curso, permitindo o engajamento e colaboração dos alunos. Por outro lado, o ensino presencial é limitado em abrangência geográfica, um importante inibidor para a formação de especialistas para atender as demandas do mercado.

    A vantagem do ensino presencial de inteligência artificial deve ser levada para o EaD.

    Um modelo de EaD que atende os requisitos de ensino para inteligência artificial é do estilo “boutique”, tendo como base o desenvolvimento de um projeto comum entre os alunos, com forte interação entre o professor e os alunos, em classes online de até 20 alunos, número máximo para a coordenação e interatividade de um professor em assistente.

    O modelo “boutique” permite o acompanhamento individual de cada aluno pelo professor, reforçando a atenção em alunos com dificuldades para entender algum tópico. Cria um sentimento de equipe entre os alunos, facilitando a colaboração entre eles e, consequentemente, maiores oportunidade de aprendizado. O ensino, tendo como base um projeto a ser construído, proporciona o acompanhamento de métricas de desempenho, deixando claro a necessidade do esforço necessário e conhecimentos adicionais para completar o projeto.  

    O papel do curador e professor no EaD

    O curador de EaD deve produzir conteúdo que atenda às necessidades e demandas dos cursos e perfil dos alunos (persona). O professor, muitas vezes o próprio curador, deve encorajar e se aproximar dos alunos, agindo para ( (CORRÊA, 2007):

    • Auxiliar os alunos com informações relevantes para o tema em estudo;
    • Estabelecer o diálogo com os alunos;
    • Encorajar os alunos no desenvolvimento dos estudos, tarefas, fóruns de discussão e contribuir com ideias e comentários;
    • Capacitar os alunos a ter intervalos de reflexão e anotações de conceitos e informações importantes;
    • Organizar o texto conforme a sequência de construção do conhecimento e desenvolvimento de suas competências.

    No futuro as máquinas com inteligência artificial assumiram o papel do professor na interatividade

    É razoável pensar que em breve, a interatividade com o aluno seja realizada por máquinas de inteligência artificial, atendendo a maioria dos requisitos para um aluno construir o conhecimento lógico-matemático para o aprendizado de inteligência artificial. Porém, para chegar neste estágio precisamos de engenheiros especializados para construir estas máquinas, que devem ser ensinados com os recursos atuais.

    Referências

    CORRÊA, J. (2007). Educação a distância: orientações metodológicas. Porto Alegre: Artmed.

    Ministério da Educação. (11 de 12 de 2019). PORTARIA Nº 2.117, DE 6 DE DEZEMBRO DE 2019. Fonte: MEC: http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-2.117-de-6-de-dezembro-de-2019-232670913

    Pag|Brasil. (2019). Brasil: Os números do relatório Digital in 2019. Fonte: Pag|Brasil: https://www.pagbrasil.com/pt-br/insights/relatorio-digital-in-2019-brasil/

    VALENTE, J. A., MORAN, M., & ARANTES, V. A. (2011). Educação a distância : pontos e contrapontos. São Paulo: Summus.

  • Transforme a demissão de empregados em oportunidades profissionais e de negócios

    Transforme a demissão de empregados em oportunidades profissionais e de negócios

    A pandemia do novo cornonavírus, o Covid-19, causou uma onda disruptiva no planeta em, praticamente, todas as áreas: econômica, ambiental e social. Esta onda, quebra paradigmas, destrói conceitos antigos e força a adoção de novos parâmetros. Usar mesmas estratégias para enfrentar crises econômicas, como demissão de pessoal, que deve ser revista para um novo conceito de aproveitar o momento para emponderar as pessoas, fazendo-as serem mais participativas nas estratégias da empresas e obtendo mais recompensas das empresas. Nesta crise internacional, várias empresas no mundo estão se reinventando através da tecnologia. O uso de ferramentas de inteligência artificial, que hoje se tornou acessível a todos, deve fazer parte do cotidiano das empresas para melhorar sua capacidade de tomadas de decisão. Ou seja, novos tempos exigem novas soluções.

    O mercado financeiro prevê uma redução do PIB para menos de 2,96%, no Brasil em 2020. O Banco Central, no boletim Focus, reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 2020 para 3%. As previsões do mercado para o PIB brasileiro em 2021 são de crescimento de 3,10% e, para 2022 e 203 com previsão é de 2,50%. O dólar, que atingiu a marca recorde de R$5,57 (24/4/2020), deve fechar o ano de 2020 em R$4,80, em 2021 em R$4,50, em 2022 em R$4,40 e 2023 em R$R$4,50.

    No plano ambiental, experimentamos uma redução drástica da poluição nas cidades com a redução de circulação de veículos com motores a combustão, evidenciando que a vida pode ser prolongada nas cidades com a redução do uso de carros poluentes por ônibus e trens elétricos, veículos leves elétricos (patinetes, bicicletas e outros) e carros elétricos. O trabalho remoto, o home office, além de demonstrar sua eficiência e maior produtividade em diversas áreas, mostrou que as pessoas podem evitar o desperdício de tempo no trânsito e, consequentemente, reduzindo as emissões de gases do efeito estufa. O isolamento horizontal, mostrou que podemos encontrar novos estilos de vida, abrindo novas perspectivas de lazer e convívio familiar com consumo consciente, reduzindo a pegada ecológica individual. Espera-se que a redução do preço do barril do petróleo para menos de US$30 não desacelere as iniciativas de uso de energias sustentáveis.

    Na área social, o desafio do isolamento, nunca experimentado pelos brasileiros, mostra o quão importante é a família, os amigos e o trabalho. Privar as pessoas da dignidade de trabalhar para gerar o seu sustento e de sua família, talvez, esta angústia só seja superada pelo risco de morte provocado pelo novo coronavírus.

    As empresas, para se adequar as novas condições econômicas e de mercado, aceleraram suas estratégias de transformação digital. Esta situação, não particular do Brasil, provocará mudanças, significativas, nos negócios internacionais, incluindo as atuais cadeias de produção. Impulsionadas pela Indústria 4.0, com uso extremo de automação na indústria, destruirá o conceito de globalização que aproveitava a mão-de-obra intensiva barata dos países asiáticos e subdesenvolvidos, a chamada desglobalização.

    Estes cenários provocará uma profunda transformação nas relações entre patrões e empregados. Vínculos históricos, protegidos por leis protecionistas, deverão, e estão sendo substituídas por regras mais flexíveis que garantem a empregabilidade das pessoas.

    Estas transformações devem mudar os conceitos e as visões dos empresários, fazendo-os enxergar que a demissão de empregados não é a melhor solução para o crescimento e sustentabilidade da sua empresa. Demitir, significa se desfazer de parte da cultura e conhecimento da sua empresa. Demitir, reduz a entropia de ideias, essenciais para transformar os negócios para enfrentar os novos tempos.

    Melhor que demitir, é mudar a relação com os empregados. Ao invés de ter despesas com indenizações e programas de replacement, a melhor solução é investir em projetos de inovação liderados por seus empregados, em uma nova relação de trabalho. Transforme um empregado em um sócio em uma startup para testar novos produtos e serviços, dando autonomia e deixando-o explorar todo o seu potencial, muitas vezes limitado pelas amarras organizacionais.

    Os governos, que tiveram que assumir a responsabilidade pelo sustento dos cidadãos, devem ampliar seus programas de incentivo a startups, criando melhores condições para se criar empresas, investimentos subsidiados, menos impostos e menos burocracia.

    As escolas técnicas e Universidades têm uma grande responsabilidade nesta transformação, criando cursos alinhados com ações de empreendedorismo e o ensino de novas tecnologias e modelos de governança e gestão modernos para que seus estudantes possam enfrentar os novos desafios que vem pela frente.

    As empresas devem investir em inteligência artificial para melhorar e extrair o máximo do conhecimento de seus processos e do mercado. Empresas que orientam seus negócios e tomadas de decisão baseadas em dados se destacam na competitividade empresarial.

    Por fim, transforme o conceito de demissão, ao invés de perder um empregado por ganhar um sócio que pode ajudar no crescimento da sua empresa.

  • Como usar inteligência artificial (IA) na gestão do conhecimento (KM)

    Como usar inteligência artificial (IA) na gestão do conhecimento (KM)

    Atualmente, é impossível desassociar a gestão do conhecimento (KM – Knowledge Management) a sistemas de inteligência artificial. Muitas análises manuais ou com o auxílio de ferramentas tradicionais, como o MS-Excel, perdem espaço para os modelos matemáticos de inteligência artificial. Começam a ser comuns nomes como Random Forest, progressão logística, algoritmos genéticos, redes neurais artificiais, redes bayesianas, entre outras. Todos estes modelos são tão fáceis de se usar como o MS-Excel, usando softwares disponíveis no mercado, alguns até gratuitos. Ou seja, o seu uso além de ampliar a visão do conhecimento da organização em diversas áreas, ainda pode ser mais barato que as técnicas tradicionais. Existem duas barreiras para a adoção da inteligência artificial nas organizações: reunir dados relevantes para as análises e o conhecimento da equipe. Ambos podem ser ultrapassados com treinamentos eficazes.

    Vamos imaginar algumas situações para compreender a importância do uso da inteligência artificial aplicada nas organizações.

    Atualmente, como a área de RH, tradicionalmente, avalia o clima organizacional da organização? O caso mais comum é através de entrevistas com os funcionários, de forma presencial ou através de formulários, uma vez por ano. Algumas empresas investem grandes quantias na contratação de empresas especializadas em clima organizacional, justificando a possibilidade de um benchmarking com outras empresas e ser classificada entre as melhores para se trabalhar.

    Uma alternativa mais eficaz e eficiente é fazer análises de sentimento dos textos escritos, cotidianamente, pelos funcionários em e-mails e mensagens instantâneas corporativas, usando computação afetiva. É possível e fácil, identificar palavras positivas, negativas e neutras que as pessoas escrevem e avaliar o clima organizacional. Isto é útil de várias formas, avaliar, antecipadamente, o impacto de uma mudança importante na empresa e, posteriormente, os resultados das mudanças.

    Outra situação é avaliar a eficiência de uma nova norma interna na organização. Vamos considerar que uma organização esteja com um problema de conformidade – compliance – prejudicando um determinado indicador de desempenho (KPI). Aqui é possível utilizar uma técnica muito utilizada em marketing digital conhecida como teste A/B. Lance diferentes redações da nova norma e avalie qual das redações é mais eficiente para a compreensão dos funcionários e que mais rápido trás resultados de melhoria do indicador de desempenho. Para avaliar os resultados, podemos utilizar a análise textual da norma, avaliando palavra a palavra e escolhendo os textos com a melhor seleção de palavras.

    O uso de inteligência artificial é típico em modelos de análise de falhas de equipamentos na linha de produção das fábricas. Analisando o histórico de falhas dos equipamentos, utilizando todos os dados internos e externos, é possível determinar quando um equipamento ou um sistema de produção pode apresentar uma falha e paralisar toda a produção. Estas técnicas, muito utilizadas para análise de risco e gestão da manutenção, reduzem as perdas financeiras das empresas, com programações mais eficientes de manutenções preventivas.

    Atualmente, a inteligência artificial pode ser utilizada para quase todas as áreas de conhecimento, oferecendo novas perspectivas de melhoria organizacional e transformação digital das organizações.

  • Empregados desatualizados em tecnologia digital são frustrados e pouco produtivos

    Empregados desatualizados em tecnologia digital são frustrados e pouco produtivos

    Uma pesquisa da Unisys nos Estados Unidos e em outros 11 países, com mais de 12.000 trabalhadores, mostra que apenas um terço dos trabalhadores veem seu empregador como líder em tecnologia. As organizações retardatárias em tecnologia convivem com a frustração de seus funcionários, que reclamam que são impedidos de serem mais produtivos e utilizam softwares e outros dispositivos pessoais por entenderem que são mais eficientes do que os fornecidos pela empresa, aumentando o risco de segurança lógica. A frustração dos trabalhadores em organizações retardatárias em tecnologia é real e tem um impacto emocional tangível. A transformação digital das organizações é necessária, não apenas para desenvolver novos modelos de negócios alinhados com as expectativas dos consumidores, como para motivar e aumentar a produtividade de seus empregados.

    Os empregados querem ser capazes de fazer o seu trabalho em qualquer lugar e fazê-lo de forma fácil, sem barreiras tecnológicas, tendo ao seu dispor ferramentas que aumentam sua produtividade. Na verdade, eles querem que suas organizações tenham as mesmas ferramentas que eles utilizam, gratuitamente, no seu dia a dia pessoal.

    Imagine a frustração de um empregado vendo seu filho desenvolver um trabalho de escola com videoconferência e escrevendo um tralhado de forma colaborativa e gratuita e ele não dispor desta facilidade no seu trabalho.

    Os líderes das organizações retardatárias sabem que seus empregados são infelizes e isto custa dinheiro, entretanto, ficariam surpresos com uma pesquisa da Gallup que mostra que este desgaste com os empregados tem um custo anual entre US$483 bilhões a US$605 bilhões em perda de produtividade. O custo de atrito não pode ser esquecido, o que leva a substituição de um empregado, que custa entre seis a nove salários.

    Trabalhadores frustrados resultam na empresa enfrentando custos mais elevados, menor produtividade e maior volume de negócios com clientes menos satisfeitos.

    Empregados com talento digital procuram empresas com alta tecnologia, know-how e cultura digital para se realizarem profissionalmente.

    De acordo com a pesquisa da Unisys, 31% dos entrevistados veem a tecnologia de IoT (Internet das Coisas) como uma tecnologia emergente e com potencial para transformar seu ambiente de trabalho nos próximos cinco anos. Dos entrevistados, 27% citaram a inteligência artificial (IA) como outra tecnologia disruptiva. Apenas, 20% disseram que compreendem bem a tecnologia de inteligência artificial.

    A falta de compreensão das novas tecnologias gera frustração. O medo do desconhecido é uma poderosa armadilha para as organizações que podem ver seus planos prejudicados pelos trabalhadores pelo medo de perderem seus postos de trabalho.

    As organizações devem investir em tecnologia e em treinamento apropriado em automação e inteligência artificial na capacitação de seus empregados, liberando-os de tarefas repetitivas e pouco produtivas. A inteligência artificial irá melhorar a produtividade dos empregados e não substituí-los.